Preços do etanol e do açúcar caem com o avanço da nova safra de cana

Volume ofertado dos produtos tem aumentado nas últimas semanas

O preço dos principais derivados da cana-de-açúcar (etanol e açúcar) estão caindo em abril no mercado do Estado de São Paulo, informa o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea). O principal motivo para o recuo é o avanço da moagem da safra 2026/27, que iniciou neste mês e está aumentando a disponibilidade dos produtos.

O volume ofertado de etanol hidratado aumentou na última semana, e muitos vendedores ampliaram a disponibilidade do combustível por receio de quedas de preços mais expressivas. Nesse contexto, os recuos das cotações foram diários em todas as regiões produtoras de São Paulo, conforme o Cepea.

Entre 6 e 10 de abril, o indicador Cepea/Esalq para o etanol hidratado apresentou o preço médio de R$ 2,7873 por litro (sem incluir frete, ICMS e PIS/Cofins), uma queda semanal de 3,47%.

Segundo o Cepea, as interrupções nas atividades de moagem por conta de chuvas na semana passada não limitaram o movimento de queda nos preços no mercado de São Paulo. Para os próximos dias, previsões indicam tempo seco.

Alguns compradores chegaram a adquirir mais volumes por conta das pequenas aquisições das últimas semanas, mas, ainda assim, o ritmo de negócios envolvendo o etanol hidratado seguiu fraco. As distribuidoras continuam agindo com cautela e fechando algumas oportunidades de negócios. As atenções se voltam para a possibilidade de um mix mais alcooleiro ao longo da temporada 2026/27, com o preço do açúcar em queda e do dólar em patamares mais baixos.

Açúcar

No caso do açúcar cristal, os preços apresentaram leve recuo no balanço da semana passada, oscilando em faixa relativamente estreita nos primeiros dias. Nesta segunda-feira (13/4), o indicador Cepea/Esalq registrou a cotação de R$ 103,47 para a saca de 50 quilos, uma queda de 1,89% desde o início de abril.

Segundo o Cepea, o mercado spot seguiu influenciado pelo início da safra 2026/27. Com parte das usinas direcionando a produção inicial para o açúcar VHP (açúcar bruto, mais voltado para exportação), a disponibilidade de açúcar cristal branco no curto prazo permaneceu mais limitada, o que contribuiu para sustentar as cotações na segunda metade da semana passada.

Do lado da demanda, a atuação foi mais pontual, sem pressão significativa por recomposição de estoques, refletindo um ambiente de negociações mais cadenciado. Já o mercado internacional segue instável, refletindo a combinação de fatores estruturais de oferta abundante com choques pontuais originados no ambiente geopolítico e energético.

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