Restrição dos EUA à exportação de diesel pode pressionar preço no Brasil
Os Estados Unidos têm um plano para proibir todas as exportações de diesel por um período de 90 dias, segundo publicação do Politico revelada na semana passada. A medida pode ter efeitos diretos no Brasil, que compra cerca de 10 milhões de litros diários de diesel do país norte-americano.
O alerta chega em um momento sensível: o Brasil está prestes a iniciar a temporada de plantio de soja e deve registrar alta na demanda pelo transporte rodoviário em 2026, segundo a Confederação Nacional do Transporte (CNT). Os impactos recairiam no bolso dos transportadores e dos produtores rurais, com potencial de repasse aos preços.
Segundo dados da Agência Nacional do Petróleo (ANP), o Brasil importa 30% do diesel que consome — e, desse total, 30% vêm dos Estados Unidos.
O diesel começou 2026 com preços médios entre R$ 6,10 e R$ 6,25, sofreu forte pressão de alta no primeiro trimestre e oscilou até setembro, quando o preço médio do S-10 alcançou R$ 7,33 por litro. O movimento foi impulsionado por reajustes tributários — como a elevação do ICMS pelo Confaz em 1º de janeiro — e pelas variações do mercado internacional, com o Brent acima de US$ 100 o barril e picos de R$ 7,58 por litro em abril.
Com a restrição norte-americana, a tendência é de pressão ainda maior. “Com certeza teremos aumento no preço do diesel nas bombas. A redução de oferta do produto gera aumento do preço e impacta diretamente o transportador e a economia dependente do transporte rodoviário”, afirma Fabio Ferraresi, consultor da Power Systems Research.
Não há estimativa oficial sobre o tamanho do aumento, mas analistas do setor de energia e representantes dos importadores apontam que a restrição de 90 dias pode provocar forte alta global e uma disparada nos preços internos, com o custo de importação superando com facilidade os patamares recentes de R$ 6,90 por litro nos portos nacionais.
Para Ferraresi, o cenário reforça as incertezas sobre a segurança energética e a disponibilidade de diesel — e também fortalece o pleito dos produtores agrícolas pelo fomento do etanol em ônibus, caminhões e máquinas agrícolas. O Brasil produz mais de 40 bilhões de litros de etanol por safra e consome cerca de 31 bilhões internamente; projetos como o ônibus híbrido a etanol da Marcopolo e veículos com motores movidos a etanol já estão prontos no país.
Para o setor de combustíveis, o quadro pede atenção redobrada: uma oferta global mais restrita de diesel tende a pressionar custos em toda a cadeia do transporte rodoviário — que responde por boa parte do consumo nacional — e pode acelerar a busca por alternativas energéticas no país.
Fonte: Terra/Estadão Conteúdo — Decisão dos EUA ameaça preço do diesel no Brasil
Imagem: Tony Webster / Wikimedia Commons (CC BY 2.0)
