Congresso discute gasolina com menos etanol: o que pode mudar nos postos

Os postos de combustíveis podem passar a oferecer, nos próximos anos, novas opções de gasolina ao consumidor. Projetos em discussão no Congresso Nacional propõem a comercialização de gasolina com menor teor de etanol e até de gasolina pura, sem a mistura do biocombustível.

A discussão ganhou força após o aumento da mistura de etanol anidro na gasolina para 32%, o chamado E32. Uma das propostas prevê a oferta de gasolina pura e da mistura E10, com 10% de etanol. Outra possibilidade em análise é a comercialização de gasolina sem etanol para determinados tipos de veículos. Por enquanto, não há decisão que determine a venda obrigatória das novas formulações nos postos.

Segundo o instrutor do Senai Valter José Teixeira, a gasolina com menor concentração de etanol pode proporcionar maior autonomia por litro. “Com a gasolina pura, o motor é preparado para ter um consumo bem melhor”, explica. A maior autonomia, no entanto, não significa necessariamente economia: a gasolina sem etanol tende a custar mais por litro, e o motorista precisaria considerar o preço na bomba e o consumo do veículo.

Os principais pontos de atenção estão nos veículos antigos, fabricados para funcionar exclusivamente com gasolina. De acordo com o especialista, esses modelos não foram projetados para trabalhar com concentrações elevadas de etanol. O combustível pode afetar componentes como tanque, bomba de combustível, tubulações e bicos injetores, e alguns veículos podem apresentar falhas de funcionamento.

Nos veículos flex, produzidos no Brasil desde 2003, a situação é diferente: o sistema eletrônico identifica a composição utilizada e ajusta o funcionamento do motor. A recomendação é que, ao trocar completamente de combustível, o motorista rode com o carro para que o sistema reconheça a nova condição.

De acordo com o especialista, existe público para a gasolina sem etanol, principalmente entre proprietários de veículos que não utilizam tecnologia flex. A estimativa é de que cerca de 80% da frota brasileira seja formada por veículos flex, enquanto aproximadamente 20% utiliza apenas gasolina.

Para os postos de combustíveis, a eventual autorização representa mais uma opção de produto na pista de abastecimento — e exige atenção redobrada na orientação ao motorista sobre qual combustível é mais adequado para cada veículo.

Se a alternativa for autorizada, o consumidor deverá considerar não apenas o preço por litro, mas também o consumo, a autonomia e as características do próprio veículo.

Fonte: Rádio Itatiaia — Gasolina pura no posto? Entenda o que pode mudar para o motorista

Imagem: Túllio F / Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0)

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